Os Meus Sonhos São Mais Belos que a Conversa Alheia
Não faço visitas, nem ando em sociedade alguma - nem de salas, nem de
cafés. Fazê-lo seria sacrificar a minha unidade interior, entregar-me a
conversas inúteis, furtar tempo senão aos meus raciocínios e aos meus projectos,
pelo menos aos meus sonhos, que sempre são mais belos que a conversa
alheia.
Devo-me a humanidade futura. Quanto me desperdiçar, desperdiço do divino
património possível dos homens de amanhã; diminuo-lhes a felicidade que lhes
posso dar e diminuo-me a mim-próprio, não só aos meus olhos reais, mas aos
olhos possíveis de Deus.
Isto pode não ser assim, mas sinto que é meu dever crê-lo.
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?
Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.
Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.
Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!
Quando
propus a teoria da relatividade, muito poucos me entenderam, e o que lhe revelarei
agora para que o transmita à humanidade, também se chocará contra a
incompreensão e os preconceitos do mundo.
Peço-lhe
mesmo assim, que o guarde o tempo todo que seja necessário, anos, décadas, até
que a sociedade haja avançado o suficiente para acolher o que lhe explico a
seguir.
Existe
uma força extremamente poderosa para a qual a ciência não encontrou ainda uma
explicação formal.
É
uma força que inclui e governa todas as outras, e que está inclusa dentro de
qualquer fenômeno que atua no universo e que ainda não foi identificada por
nós.
Esta
força universal é o Amor.
Quando
os cientistas buscam uma teoria unificada do universo, esquecem da mais
invisível e poderosa das forças.
O
amor é luz, já que ilumina quem o dá e o recebe.
O
amor é gravidade porque faz com que umas pessoas sejam atraídas por outras.
O
amor é potencia, porque multiplica o melhor que temos e permite que a
humanidade não se extinga no seu egoísmo cego.
O
amor revela e desvela. Por amor se vive e se morre.
Esta
força explica tudo e dá sentido em maiúscula à vida.
Esta
é a variável que temos evitado durante tempo demais, talvez porque o amor nos
dá medo, já que é a única energia do universo que o ser humano não aprendeu a
manobrar segundo seu bel prazer.
Para
dar visibilidade ao amor, fiz uma simples substituição na minha mais célebre
equação. Si no lugar de E=mc² aceitamos que a energia necessária para sanar o
mundo pode ser obtida através do amor multiplicado pela velocidade da luz ao
quadrado, chegaremos à conclusão de que o amor é a força mais poderosa que
existe, porque não tem limite.
Após
o fracasso da humanidade no uso e controle das outras forças do universo que se
voltaram contra nós, é urgente que nos alimentemos de outro tipo de energia.
Se
quisermos que nossa espécie sobreviva, se nos propusermos encontrar um sentido
à vida, se desejarmos salvar o mundo e que cada ser sinta que nele habita, o
amor é a única e última resposta.
Talvez
ainda não estejamos preparados para fabricar uma bomba de amor, um artefato
bastante potente para destruir todo o ódio, o egoísmo e a avareza que assolam o
planeta.
Porém,
cada individuo leva no seu Interior , um pequeno mas poderoso gerador de amor
cuja energia espera ser liberada.
Quando
aprendermos a dar e receber esta energia universal, querida Lieserl,
comprovaremos que o amor tudo vence, tudo transcende e tudo pode, porque o amor
é a quintessência da vida.
Lamento
profundamente não ter sabido expressar o que abriga meu coração, que há batido
silenciosamente por você toda minha vida.
Talvez
seja tarde demais para pedir-lhe perdão, mas como o tempo é relativo, preciso
dizer-lhe que a amo e que graças a você, cheguei à ultima resposta.
O órgão do mar está localizado na
cidade de Zadar, na Croácia e é o primeiro instrumento deste tipo que é
“tocado” pelo mar.
É um instrumento musical natural,
que com o movimento do mar, cria sons muito bonitos, dependendo da velocidade
das ondas e do vento e nunca pára, está sempre a emitir algum tipo de som.
As ondas batem nas escadas onde
estão os retângulos e o som sai por buracos.
Suspende uma palavra
uma palavra apenas
de todos e de cada um
dos fios do teu cabelo
e sai à vida assim
para que todos te leiam
no sentido das nuvens
ou do céu enfim azul
e que nenhuma rosa
da cor da casa tão longínqua
diga mais sobre o tempo
que te habita
do que o poema
que um dia escreverás
para quem não sabias.
"Não me olhes como quem nada vê além dos próprios olhos olha-me como se não quisesses ver nada além de mim ou como se já tivesses visto tudo menos o meu olhar". Maria José Meireles